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Companhia Estrela de Belém mantém Folia de Reis viva em Santa Bárbara

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Uma tradição perto do fim. Assim definiu Inácio Luiz Souto, de 79 anos, ao ser perguntado sobre o Dia de Reis, comemorado nesta terça-feira (6). Trata-se de um costume popular em que a chamada Folia de Reis, com seus intérpretes e instrumentistas, sai às ruas e visita casas para cantar a chegada dos três reis magos: Melchior, Baltazar e Gaspar.,

Ele e sua Companhia Estrela de Belém lutam para manter a tradição, eles se apresentaram em uma casa com um presépio no bairro Cidade Nova, em Santa Bárbara d’Oeste, nesta terça.
A tradição católica conta que o trio seguiu uma estrela com destino certo: o encontro com um menino que acabara de nascer: Jesus Cristo. Com os reis vieram os presentes: incenso, mirra e ouro.

Inácio é morador do bairro Mollon, em Santa Bárbara d’Oeste, e canta na folia desde 1960. Na região, participa das ações há 46 anos. “Comecei no Paraná, com 12 anos de idade. Em 1979, conheci o saudoso seu Felício José da Silva e até hoje estou tocando na companhia que ele fundou”, comentou.

Em seu grupo, cerca de 15 pessoas participam, divididas entre mestre, ajudante, contramestre, contralto, quarta voz, quinta voz, sexta voz e instrumentistas, com pandeiro, bate-caixa, violão, entre outros instrumentos.
Há ainda os palhaços, personagens ligados à tradição que, após os três reis magos visitarem Jesus, teriam se fantasiado para fugir dos soldados do rei Herodes e não revelar o local onde estava o menino.
Inácio lembra que, atualmente, há uma dificuldade devido à resistência das pessoas, principalmente as mais jovens, em receber a folia.

“A gente leva mais do que uma mensagem, com a bandeira que traz a Sagrada Família e os três reis magos, abençoando a casa de quem nos recebe. Hoje, a gente chega marcando as casas que querem nos ouvir para não perder viagem. Tem muita religião, misturou demais, e não nos recebem”, disse.
Ele também comenta que, muitas vezes, a mãe ou o pai costumava receber o grupo, mas, após eles falecerem, os filhos não aceitam a visita.

“A gente não consegue, de jeito nenhum, passar isso para os jovens. Só nos recebem os mais velhos. A mãe ou o pai morreu, é uma casa a menos para visitar”, ressaltou.
Com quase 80 anos, Inácio afirma que conseguir novos integrantes também é um desafio. “Vai acabar, pelo que eu vejo. A gente não consegue passar isso de jeito nenhum para os jovens. Os mais velhos morrem e os mais novos não querem seguir”, afirmou.

Mesmo assim, a busca por manter viva a tradição continua. No próximo dia 25, a apresentação será realizada na Casa de Maria, às 9h, também em Santa Bárbara.

Alex Ferreira

Alex Ferreira é jornalista, apresentador de TV e rádio, mestre de cerimônias e roteirista.

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