Vinte anos após a criação da Lei Maria da Penha, os números mostram que o enfrentamento à violência contra a mulher continua sendo um desafio no Brasil. Em 2025, o país registrou 1.568 feminicídios, maior número da série histórica, enquanto quase 979 mil medidas protetivas de urgência foram concedidas pela Justiça. Somente no primeiro semestre de 2026, outras 337 mil medidas já haviam sido expedidas.
Em Americana, o tema ganhou destaque nesta semana durante o Fórum Agosto Lilás – 20 anos de Maria, que reuniu cerca de 180 pessoas e representantes de diferentes órgãos da rede de proteção. O encontro discutiu desde a aplicação prática da Lei Maria da Penha até o protocolo utilizado no município para atender mulheres em situação de violência e o papel das medidas protetivas na prevenção de feminicídios.
A dimensão do problema vai além das agressões físicas. A legislação reconhece também as violências psicológica, moral, sexual e patrimonial, que muitas vezes não deixam marcas aparentes. Mudanças bruscas de comportamento, isolamento, medo constante, faltas frequentes ao trabalho e queda de desempenho podem estar entre os sinais de alerta.
Ambiente corporativo como espaço de acolhimento
A discussão também começa a ocupar o ambiente corporativo, já que a violência doméstica pode afetar diretamente a saúde, a segurança e o desempenho profissional das mulheres. Na empresa Suzano, por exemplo, o tema integra ações de conscientização e prevenção, com rodas de conversa, treinamentos para lideranças identificarem sinais de violência e canais permanentes de acolhimento. A empresa também mantém o Tele Faz Bem, serviço gratuito e confidencial disponível 24 horas para colaboradores e dependentes, com suporte social, psicológico e jurídico em situações de violência de gênero, violência doméstica e abuso psicológico.
Para Reiner Santos, gerente de Gente e Gestão da Suzano, o combate à violência precisa ultrapassar o ambiente doméstico e envolver toda a sociedade. Segundo ele, ampliar os espaços de diálogo e fortalecer redes de apoio são caminhos para que mulheres em situação de violência encontrem acolhimento e orientação.
Em Americana, uma parceria entre a FAM e a Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) também oferece atendimento psicológico às vítimas. Estagiárias de Psicologia realizam o primeiro acolhimento às segundas, quartas e sextas-feiras, das 12h às 18h, para mulheres que chegam à delegacia para registrar boletim de ocorrência. Quando necessário, o acompanhamento pode continuar nas dependências da faculdade.
Os dados nacionais ajudam a dimensionar por que ampliar essas redes permanece necessário: 27% das brasileiras afirmam já ter sofrido violência doméstica ou familiar praticada por um homem ao longo da vida, segundo pesquisa do DataSenado. Outro levantamento citado no material aponta que aproximadamente 21 milhões de brasileiras sofreram algum tipo de violência em um período de 12 meses. Denúncias e pedidos de orientação podem ser feitos pelo 180, da Central de Atendimento à Mulher, ou pelo 190, da Polícia Militar.
Capacitação para reconhecer sinais de violência
A Lei Maria da Penha reconhece diferentes formas de violência contra a mulher, incluindo agressões físicas, psicológicas, morais, sexuais e patrimoniais. Muitas delas não deixam marcas visíveis, mas costumam gerar alterações comportamentais perceptíveis no cotidiano.
Quedas recorrentes de desempenho, faltas frequentes, isolamento social, mudanças bruscas de humor, ansiedade, medo constante ou justificativas repetidas para lesões podem ser sinais de alerta. Por isso, a Suzano desenvolveu uma capacitação específica para lideranças, orientando sobre acolhimento humanizado, escuta ativa e direcionamento seguro para canais especializados.









